Gestão que escala — Ep. 3: O ponto de virada

Ariel Paiva
Founder

Toda empresa passa por um momento que define se ela crescer organizada ou caótica. Esse momento acontece em algum lugar entre 40 e 80 pessoas.
Antes de 40, o fundador ainda segura quase tudo na mão. Conhece todo mundo, sabe o que cada um faz, apaga os incêndios pessoalmente. Funciona? Funciona. É sustentável? Não.
Depois de 80, ou a empresa já tem método ou já normalizou o caos. E normalizar o caos é o pior que pode acontecer. Vira cultura. “Aqui é assim mesmo."
As empresas que passam dessa faixa de forma saudável fazem três escolhas que a maioria recusa fazer na hora certa.
Primeira: matar o heroísmo:
As empresas travadas celebram quem salva o dia. As que escalam perguntam: Por que essa pessoa precisou ser herói? Onde o processo falhou? Heroísmo recorrente é sintoma de estrutura quebrada. Enquanto a empresa premiar quem apaga incêndio, ela nunca vai investir em não ter incêndio.
Segunda: separar o fundador da operação:
O fundador que construiu tudo do zero geralmente é o melhor executor da empresa. E é exatamente por isso que ele precisa sair da execução. Enquanto ele for o melhor executor, ninguém precisa ser bom. O time escala pro fundador quando complica, o fundador se acostuma a resolver. Os dois lados se alimentam. Na prática é um luto. Você larga o que te dá dopamina (resolver) pelo que dá resultado a longo prazo (construir sistema).
Terceira: documentar antes de precisar:
Documentar um fluxo de 3 etapas leva 20 minutos. Documentar um fluxo de 15 etapas que só 2 pessoas entendem leva semanas (e geralmente uma das duas já pediu demissão). Se o conhecimento da sua empresa só existe enquanto certas pessoas estiverem lá, você não tem empresa. Tem uma aposta.
Eu vejo esse filme toda semana na P3rformar. Empresa chega pedindo ajuda pra implementar ferramenta, e quando a gente entra, percebe que a ferramenta é o menor dos problemas. O que falta é método.
As empresas que fazem essa escolha na hora certa chegam em 200 funcionários com clareza e previsibilidade. As que não fazem, chegam gerenciando crise como rotina. E chamam isso de cultura.
Essa foi a última parte da série. Se você leu as três e se reconheceu, talvez seja hora de olhar pro método.


